Grupo de estudos e pesquisa em educação não formal na perspectiva histórico-cultural

Categoria: Pesquisas

Manifestações discursivas de contradições: análise de uma exposição científica internacional no Brasil pela perspectiva histórico-cultural – Bruno Cerqueira

Manifestações discursivas de contradições: análise de uma exposição científica internacional no Brasil pela perspectiva histórico-cultural – Bruno Rafael Santos de Cerqueira

Estudante do Programa Interunidades de Ensino de Ciências

Este estudo compreende uma investigação sobre a exposição científica internacional “Túnel da Ciência 3.0”, desenvolvida pelo Instituto Max Planck. A principal questão desta pesquisa é compreender como se deram as negociações entre diferentes sujeitos envolvidos na elaboração e viabilização dessa exposição científica de itinerância internacional ao ser exposta no Brasil. Os fundamentos teórico-metodológicos estão baseados na Perspectiva Histórico-Cultural e na Teoria da Atividade. A coleta de dados teve como objetivo levantar informações relativas aos processos de percepção do público brasileiro e dos sujeitos envolvidos na itinerância, bem como à construção do discurso expositivo. As técnicas de levantamentos de dados utilizadas foram: notas de campo, entrevistas semiestruturadas com organizadores, mediadores e visitantes, além da gravação em áudio e vídeo das visitas e a análise de documentos. A sistematização e análise dos dados estão sendo realizada de forma a identificar a dinâmica da viabilização da exposição e as contradições internas desse processo, tendo como base as manifestações discursivas de contradições. Espera-se identificar sistemas de atividades e analisar formas de organização e interação entre eles. Focando-se em sistemas de significação da exposição, é possível apontar, nos discursos expostos e dos sujeitos entrevistados, as possíveis contradições, tensões e modificações nos sistemas. Com isso, pretende-se sugerir elementos centrais a serem considerados nos processos de adaptação de grandes exposições internacionais, tão frequentes no contexto brasileiro atual de comunicação da ciência.

A aprendizagem sobre invasões biológicas através da prática social consciente: contribuições da Teoria de Comunidades de Prática e Filosofia da Práxis – Rafael Kauano

A aprendizagem sobre invasões biológicas através da prática social consciente: contribuições da Teoria de Comunidades de Prática e Filosofia da Práxis – Rafael Vitame Kauano

Estudante do Programa Interunidades em Ensino de Ciências

O projeto que segue propõe o estudo sobre o que é aprender quando falamos de invasões biológicas e seus impactos sociais e econômicos. Para isto, foi escolhido como objeto de estudo o Projeto Coral Sol. Tendo como hipótese que o processo de aprendizagem sobre invasão biológica pode ser uma atividade coletiva pela qual diferentes atores norteiam o rumo de sua realidade em uma prática conjunta. Será procurado nas proposições das Comunidades de Prática, elaboradas pelos pesquisadores Jean Lave e Ettiene Wenger, o valor da aprendizagem como fruto de uma atividade prática social. Além disso, ao se considerar a aprendizagem por meio da prática social, torna-se necessária  uma análise profunda do que é a prática em seus significados filosóficos. Para isto, é na Filosofia da Práxis que novos apontamentos da teoria social escolhida serão buscados. Sob este olhar teórico, o conceito de invasões biológicas, suas significações e a prática dos sujeitos em torno da questão serão estudados com o desejo de se apontar atributos de práxis educativas em ambientes de educação não formal com potencial de transformar cidadãos e cidadãs em atores ativos em seu contexto, hábeis para resolução de problemas e transformação do mundo em que estão inseridos.

Sistemas de Atividade e STEAM: possíveis diálogos na construção de um currículo globalizador para o Ensino Médio – Mariana Peão Lorenzin

Sistemas de Atividade e STEAM: possíveis diálogos na construção de um currículo globalizador para o Ensino Médio – Mariana Peão Lorenzin

Estudante do Programa Interunidades de Ensino de Ciências

Em uma sociedade caracterizada por constantes mudanças, conectividade e rápida velocidade de circulação da informação, a escola básica rediscute o seu papel na formação dos estudantes, uma vez que, compreender o conhecimento de forma compartimentada significa representar a realidade em fragmentos. Valsiner (1991) enfatiza que as sociedades e os seres humanos devem ser entendidos como “sistemas complexos constantemente submetidos a processos de desenvolvimento”, que ao recriarem a cultura, geram mudanças no conhecer, no comunicar e no integrar. A organização tradicional do conhecimento em sequências rígidas e ordenadas em disciplinas não incorpora as interações que possibilitam as relações de aprendizagem (HERNANDEZ e VENTURA, 1998), conduzindo à formação exclusiva de capacidades cognoscitivas e à visão “reducionista das múltiplas dimensões que intervêm nas situações educativas” (ZABALA, 2009). Diferentemente, o enfoque globalizador do conhecimento propõe a organização dos conteúdos de modo interligado, ressignificando a aprendizagem, seus ambientes e os papéis dos sujeitos que o constituem. Nesse contexto, a escola comprometida com os processos de desenvolvimento busca integrar o conhecimento científico e alcançar a compreensão mais completa da realidade (OLIVEIRA, 2005). Inspirado pelo movimento Maker e incorporando saberes de Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, o STEAM (do inglês, Science, Technology, Engineering, Arts and Maths) é apresentado como uma proposta de ensino globalizador, baseado em projetos, que, a partir de problemas reais, relaciona os conteúdos disciplinares para que, integrados à estrutura de conhecimento do indivíduo, assumam significado em uma situação concreta. A construção e a implementação da proposta STEAM como parte da educação básica é um desafio que representa, dentre outras, mudanças na concepção do currículo escolar e, merece estudo com suporte teórico robusto. A Teoria da Atividade é um referencial interdisciplinar que analisa relações objetivadas entre o ser humano e o mundo, por meio de instrumentos, permitindo a leitura complexa de fenômenos com foco na sistematização de Atividades, localização de contradições e surgimento de Ciclos Expansivos de Aprendizagem (ENGESTRÖM, 1999). Este trabalho visa analisar, sob a perspectiva social, histórica e cultural, a elaboração do currículo STEAM, para 1a. série do Ensino Médio de uma escola particular de São Paulo, por meio da verificação da existência e dos tipos de Atividades, mapeamento dos tipos e níveis das tensões e contradições emergentes, bem como a análise dos Ciclos de Aprendizagem constituídos, para o apontamento de atributos resultantes das negociações. Para tanto, transcrições de gravações de reuniões e exercícios de formação, respostas a questionários escritos e a entrevistas semi estruturadas, com representantes do grupo de professores, coordenadores e diretores da escola, serão alvo de análise, com base no referencial teórico, buscando garantir a visão sistêmica sobre essa inovação. Espera-se, assim, contribuir para o entendimento dos principais elementos envolvidos em uma reorganização curricular pautada na interdisciplinaridade, considerando-se os contextos de produção e de circulação dos sentidos dados aos Sistemas de Atividades.

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